Disciplina - Educação Física

Ami-jitsu

O Ami é uma Arte Marcial que traz em seu cerne conhecimentos de ordem filosófica e propostas de evolução capazes de caracterizá-lo como verdadeiro caminho de evolução pessoal.

Foi concebida pelo Mestre Antônio Tibery que buscou unificar, de maneira integrada, parte das propostas contidas em diferentes modalidades, adotando-se, de início, princípios filosóficos estruturais.

Mediante a utilização de movimentos curvilíneos, permite ao praticante defender-se de agarradas, socos e chutes. Os movimentos retos ou quebrados são evitados por não serem componentes adequados à formação das técnicas, as quais adquirem eficiência tanto por sua precisão como pela reorientação da força do agressor. Devem ser praticadas com o corpo descontraído e atitude mental conveniente (esvaziamento do Ego).

As técnicas finalizam em projeção ou imobilização. No último caso, o atacante acaba impossibilitado de esboçar qualquer reação.

Em algumas técnicas, repetidas até serem automatizadas, usamos pressão em pontos específicos dos punhos, coxas ou tornozelos, provocando dor intensa.

As técnicas não devem ser avaliadas apenas pela eficiência ou beleza coreográfica, pois - convém frisar – são antes ferramentas de auto-realização e de crescimento pessoal.

Como surgiu


Outra pergunta que normalmente ocorre é de como, por quê e quando o Ami foi estruturado.

As experiências do Mestre Tibery no âmbito das artes marciais foram, no decorrer do tempo, pouco a pouco direcionando-o para o que hoje é o Ami. Uma série de fatores contribuíram para isso: local, momento, oportunidade e vontade férrea de realizar um objetivo.

As artes marciais que pratiquei (Aikidô, Capoeira, Caratê, Iai-dô, Jiu-Jitsu, Judô, e Kendô) foram artes que marcaram positivamente a minha vida, mas não atenderam totalmente minhas aspirações pessoais.

Não preenchiam totalmente meu âmago. Com a prática dessas modalidades e com o contato que tive com a Yoga e a Macrobiótica, senti a necessidade de embasamento filosófico e de técnicas coerentes com a minha nova forma de pensar.

Havia um problema a resolver, que era a eficiência junto com a não-violência. Impulsionado por essa vontade, fui atrás de novos movimentos e nova abordagem filosófica sem a dicotomia oriente-ocidente. Queria treinar uma arte (não pensava em ser o criador de coisa alguma) que tivesse coerência entre filosofia e prática. Que integrasse trabalho de pernas, de braços, rolamentos, e exercícios físicos que melhorassem o tônus muscular e fortalecesse as articulações. E que ainda possuísse uma estrutura com técnicas eficientes e não-violentas, para serem usadas quer o praticante estivesse de pé, de joelhos, ou mesmo sendo agarrado no solo.

A utilização do pé e pernas era necessária, pois têm forte influência na cultura brasileira (capoeira, futebol, samba), diferentemente da cultura japonesa que sempre dá mais ênfase ao uso das mãos (esgrima, baseball, trabalhos manuais , sumô e quase todos os estilos de luta, inclusive o caratê, que ainda conserva forte influência chinesa.

Dentro desse conceito, incluí os socos e chutes, mas apenas como formas de ataque. Treinei com familiares e amigos, surgindo daí novas idéias e movimentos que vieram reformular os anteriores e que enriqueceram a nossa arte.

Os interessados (ex-alunos, conhecidos e simpatizantes) foram surgindo, mesmo cientes de que estávamos em fase de laboratório.

Assim nasceu o Ami-Jitsu, que teve sua primeira turma oficialmente aberta ao público em abril de 1989, no Clube dos Previdenciários.

Inovações e pioneirismo nos torna sujeitos a incompreensões por parte dos que não vivenciaram o processo, mas isso não traz maiores preocupações. No Brasil, país de destaque no campo das artes marciais, sobejamente mostramos nossa capacidade.

Meditação e respiração


Na meditação, o indivíduo deve procurar suspender as atividades do seu Ego periférico, conservando-se, porém, consciente. Há que ter dedicação, por esse motivo, o principiante deve insistir em praticar a meditação, por mais difícil que ela possa lhe parecer.

Meditar não é parar de pensar, não é descer ao subsconsciente e nem concentrar-se em ponto específico. Também, em nada se parece com o sono anestésico, pois não deve haver perda de consciência.


Adote a postura da respiração completa. Com os olhos fechados, dirija-os para a base do nariz e observe os pensamentos que surgem. Não se deixe envolver por eles, não os siga e nem queira impedi-los. Deixe-os ocorrer naturalmente, apenas observe-os. Mantenha-se firme como o mastro da bandeira e deixe os pensamentos tremularem. Deixe-os passar, observe-os brotar e permaneça firme.

A meditação ou sintonia com o Universo exige o Ego-esvaziamento e a consciência da prática, porém, sem pensar em coisa alguma. A entrada da consciência universal não deve anular o Ego, mas sim integrá-lo.

A meditação não é um fim, mas um meio de atingi-lo. Sua finalidade é reorientar a vida diária do praticante, e quem a pratica com assiduidade observará melhora em todos os aspectos da sua vida.

O exercício respiratório antecede à meditação, mas não deve acompanhá-la. Inicie com ele; esqueça-o depois. Essas dicas facilitam a prática, evitando vaivéns desnecessários.

Filosofia


Em seu aspecto filosófico, o Ami-Jitsu enfoca uma proposta de auto-realização do homem, despertando nele o homem integrado.

Para que possa integrar-se ao Universo, deve o ser humano realizar exercícios de interiorização, que, indistintamente, trazem benefícios a todos que os praticam.

Possui uma filosofia própria em que a tríade tem influência especial: o símbolo tem três hélices; nas imobilizações o defensor toca o solo em três pontos; as cores das faixas são três grupos de três; e todos os movimentos, embora sejam executados de uma só vez, para fins de aprendizagem, são subdivididos em três partes. As técnicas de bastão também são ensinadas em seqüência de três movimentos ou múltiplos.

O Ego (corpo-mente-emoções) é visto como a periferia do homem integrado e o Eu, o seu centro divino desperto. Este centro está presente, mas em estado de hibernação, nos demais homens.

O Ami-Jitsu defende e busca a integração do pensamento oriente-ocidente, não agindo ora de um modo, ora de outro, mas criando uma nova maneira de pensar, conceito implícito e induzido pela própria expressão Ami-Jitsu.

Esta arte marcial tem uma visão panorâmica do homem com relação ao Universo, onde ele tem identidade própria e existência eterna, mas não de forma egoísta, como um ente separado. O homem é um sistema em si e parte de um sistema maior, o Universo, do qual é indissociável. Qualquer alteração em um modifica o outro, e vice-versa. Ao "Grande Todo" chamamos Deus.

Princípios


O Ami baseia-se em princípios que orientaram a construção das técnicas e dos movimentos em geral, e que devem servir de parâmetros para a atuação dos prati-cantes. São eles:

Saúde - Toda técnica deve fazer bem à saúde dos praticantes. As técnicas muito eficientes, mas perigosas, a ponto de colocar em risco a saúde, devem ser abandonadas.

Agradabilidade - Toda técnica deve ser agradável, tanto para quem a aplica como para quem a recebe: o atacante deve saber cair bem e seu corpo deve estar apto, através do treinamento, a "receber" a técnica.

Boa-utilização - O AMI tem por objetivo não apenas instruir, fornecer o conhecimento técnico, mas principalmente Educar.

Fornecer o conhecimento puramente material de uma técnica não é o suficiente, pois o praticante deve também se autoconhecer e deve procurar melhorar interiormente.

Não tem sentido uma técnica ser desenvolvida com o fim de matar, quebrar ou mesmo ferir alguém. A arte marcial deve ser eficiente, mas não deve ficar presa ao passado, quando o objetivo era a morte do oponente.

Eficiência - As técnicas devem ser eficientes. Caso contrário, não poderiam compor o conjunto das técnicas de uma arte marcial.

Não-violência - Todas as técnicas de AMI, sem exceção, são utilizadas apenas como defesa, e o atacante será sempre transformado em perdedor através de uma delas.

O aluno é treinado a se defender e não a agredir ou maltratar o parceiro. Esse princípio busca evitar o excesso de agressividade, tornando o AMI essencialmente defensivo.

Simetria - Tudo no AMI é praticado em ambos os lados do corpo.

Efeitos


Com sua agitação e ansiedade, a vida moderna cria um estado coletivo de estresse. Angústia, tensão, pessimismo, depressão, são aspectos que o homem da atualidade enfrenta no dia-a-dia.

As artes marciais, e o Ami em particular, são um dos veículos para a diminuição da atuação desses fatores, pois está provado que existe uma estreita relação entre os exercícios físicos e a estabilidade emocional. Além disso, as técnicas e exercícios do Ami-Jitsu exigem do praticante uma postura mental que o leva a autoconhecer-se, disciplinar-se e desenvolver-se integralmente.


As transformações psicológicas, decorrentes da prática do Ami são óbvias, manifestando-se pela perda de ansiedade e pela capacidade de se relaxar. Com o treino, adquire-se autoconfiança, passando o praticante a ter uma melhor imagem de si mesmo. Os introvertidos ampliam o seu relacionamento, e os agressivos liberam sua energia e aprendem a controlar-se, deixando de atacar e aprendendo a defender-se. As crianças excitadas e hiperativas podem alcançar um padrão normal de equilíbrio.

A prática permite ainda desenvolvimento psicomotor adequado e grau de maturidade e responsabilidade necessárias a um melhor ajustamento social.

Em suma, o Ami constitui a arte marcial que permite, ao que dele faz uso, melhor conhecer-se para melhor aperfeiçoar-se.

Influências


Ami recebeu influência de outras artes marciais, em especial daquelas com as quais este autor manteve maior contato: Jiu-Jitsu, Judô e Aikidô, artes de origem japonesa.

No entanto, não é uma mistura de artes marciais e, sim, uma integração de movimentos e filosofia, que deu origem a um novo ente, com movimentos e filosofia próprios.

Em função do princípio da Simetria, a prática com a espada foi abolida e os movimentos com o bastão e o cassetete são praticados igualmente, tanto com a mão direita como com a esquerda.

Os ataques envolvem socos, chutes, seguradas, enforcamentos e lutas no solo. No chão são ensinadas formas básicas de defesa contra seguradas e chaves, permitindo-se ao defensor posicionar-se de pé no final do movimento.

Este conteúdo foi acessado em 12/08/2010 no sítio Ami-Jitsu Arte Marcial Integrativa
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