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26/07/2012

A mulher nos Jogos Olímpicos

Por Sergio Coutinho Nogueira - Webrun
O artigo abaixo foi escrito pelo colunista Serio Coutinho Nogueira, em 2002, sobre a participação feminina nos Jogos Olímpicos. O tema continua atual e ainda mais evidente nas vésperas dos Jogos de Londres. A delegação dos Estados Unidos levará mais mulheres do que homens para a disputa: são 269 mulheres para 261 homens. Pode parecer que o espaço das mulheres atletas já está garantido no evento, mas para alguns países essa é ainda uma barreira a ser enfrentada. Em 2012 será a primeira vez que a Arábia Saudita permitirá que suas atletas participem dos Jogos.
As mulheres tem ocupado um grande espaço nos Jogos Olímpicos e inclusive participaram com grande destaque da Cerimônia de abertura dos Jogos de Sydney, em 2000. Na ocasião, o Comitê Organizador convidou sete mulheres com grande história no esporte australiano, com conquistas e marcas no atletismo e natação, para carregar a Tocha no Estádio Olímpico e acender a Pira Olímpica, tarefa que coube à aborígine Catthy Freeman, que dias depois ganhou a medalha de ouro nos 400 metros rasos. No entanto, a participação feminina nos Jogos é algo muito recente.
Os Jogos Olímpicos idealizados por Pierre de Coubertin baseavam-se nos modelos dos Jogos Gregos Antigos, quando não era permitida a participação das mulheres. Desta forma, em 1896 não havia nenhuma mulher participante entre os quase 300 atletas.
Por ironia, nos Jogos de Paris em 1900, realizados na capital francesa exatamente por desejo e vontade de Coubertin, os organizadores não deram importância a ele e nem o convidaram a participar. Além disso, um de seus “regulamentos” foi quebrado, permitindo a participação de 11 mulheres entre os mais de 1000 atletas. Elas participaram do Tênis e do Golfe, que na época eram considerados esportes olímpicos. A partir daí, a presença feminina só cresceu a cada Olimpíada.
A heroína brasileira foi Maria Lenk, primeira mulher do País a participar de uma Olimpíada, a nadadora marcou presença nos Jogos de Los Angeles em 1932.
Atletismo - As corredoras estrearam com mais de uma década de atraso em relação às provas de natação. As disputas femininas de atletismo só foram acontecer nas Olimpíadas de 1928, em Amsterdã, na Holanda, contrariando a resistência de Coubertin.
A prova dos 800 metros foi a mais longa do atletismo feminino nos Jogos holandeses. A distância só voltou a ser realizada em 1960 em Roma, com o argumento de que, por chegarem exaustas, as mulheres não poderiam participar de competições mais longas.
As mulheres só puderam competir os 1.500 metros em 1972, em Munique, na Alemanha. Os 3.000 foram realizados em 1984, em Los Angeles, nos Estados Unidos, e a disputa de dez mil metros, em 1988 em Seul, na Coreia do Sul.
Maratonas - A primeira maratona olímpica feminina tomou as ruas de Los Angeles em 1984, sob um forte calor de 27°C. Entre as 50 atletas, a brasileira Eleonora Mendonça concluiu bravamente o percurso de 42 quilômetros em 2h52min19, na 44ª colocação. A veterana foi a última a entrar no Estádio e foi recebida com muitos aplausos pelo seu esforço.
Outra cena marcante da maratona foi a chegada da 37ª colocada, a suíça radicada nos Estados Unidos, Gabriela Andersen-Scheiss. A atleta entrou cambaleante no Estádio, sem rumo, para atingir seu objetivo e concluir a prova.
A grande vencedora do dia foi a americana Joan Benoit, que liderou a competição desde o início e marcou 2h24min52. Joan sofreu uma artroscopia no joelho poucos dias antes da seletiva e realizou grande parte de seus treinos para os Jogos em bicicleta ergométrica e piscina, para evitar o contato com o solo. Ainda assim, a atleta conseguiu um ótimo resultado na disputa.
A norueguesa Grete Waitz, vencedora de diversas maratonas, sobretudo em Nova York, chegou em segundo lugar, com 2h26min18. A portuguesa Rosa Mota, conhecida pelos seis títulos na São Silvestre, foi a terceira colocada com o tempo de 2h26min57. Rosa conquistaria o ouro quatro anos depois, em Seul.
Outros grandes nomes da história das maratonas mundiais também participaram da primeira prova olímpica, como a britânica Joyce Smith, que terminou na 11ª colocação, a australiana Lisa Martin, que ficou em 7º lugar, e a neozelandesa Lorraine Moller, em quinto.
Lembrar-se da maratona de 1984 é a maior homenagem que se pode fazer à mulher, a mulher atleta e determinada, como os exemplos de superação de Gabriele Scheis e Joan Benoit e de outros grandes nomes das corridas de fundo, como Grete Waitz, Ingrid Kristiansen e Rosa Mota.

Este conteúdo foi acessado em 26/07/2012 do site WebRun. Todas as informações contidas nela são de responsabilidade do autor.

Recursos Complementares:

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