Disciplina - Educação Física

Língua Portuguesa no Continente Africano

O Tema É >> Copa do Mundo 2010 >> África para além da Copa >> Língua Portuguesa no Continente Africano


Devido à expansão colonial portuguesa alguns países do continente africano foram colonizados e tiveram como consequência a implementação da língua dos colonizadores em seu país.

Mapa dos países do continente africano que falam a língua portuguesaO processo de descolonização teve seu fim acelerado pela revolução de abril que ocorreu em 1974 derrubando o então regime fascista de Portugal. A partir disso a Língua Portuguesa tornou-se oficial em:

mapa do continete africanoCabo Verde,
Guiné-Bissau,
Angola,
São Tomé e Príncipe.


A língua portuguesa convive com inúmeras línguas crioulas, e uma diversidade de línguas nativas muito grandes, e são instrumentos de comunicação na vida do dia a dia da população. O Português da África segue a norma europeia, mas o oral distancia-se cada dia mais do português falado no Brasil.

Angola


Em 1983, 60% dos moradores declararam que o português é sua língua materna, embora estimativas indiquem que 70% da população fale uma das línguas nativas como primeira ou segunda língua.

Além do português, Angola abriga cerca de onze grupos linguísticos principais, que podem ser subdivididos em diversos dialetos (cerca de noventa). As línguas principais são: o umbundu, falado pelo grupo ovimbundu (parte central do país); o kikongo, falado pelos bakongo, ao norte, e o chokwe-lunda e o kioko-lunda, ambos ao nordeste. Há ainda o kimbundu, falado pelos mbundos, mbakas, ndongos e mbondos, grupos aparentados que ocupam parte do litoral, incluindo a capital Luanda.

Talvez em razão dessa variedade linguística original, o português acabou por se tornar uma espécie de língua franca, que facilitava a comunicação entre os diversos grupos. Em contato com as línguas nativas, o português também sofreu modificações, dando origem a falares crioulos, conhecidos como pequeno português.

Cabo Verde


O português é a língua oficial de Cabo Verde, utilizada em toda a documentação oficial e administrativa. É também a língua das rádios e televisões e, principalmente, a língua de escolarização.

Paralelamente, nas restantes situações de comunicação (incluindo a fala quotidiana), utiliza-se o cabo-verdiano, um crioulo que mescla o português arcaico a línguas africanas. O crioulo divide-se em dois dialetos com algumas variantes em pronúncias e vocabulários: os das ilhas de Barlavento, ao norte, e os das ilhas de Sotavento, ao sul.

Guiné-Bissau


Em 1983, 44% da população falava crioulos de base portuguesa, 11% falava o português e o restante, inúmeras línguas africanas. O crioulo da Guiné-Bissau possui dois dialetos, o de Bissau e o de Cacheu, no norte do país.

A presença do português em Guiné-Bissau não está consolidada, pois apenas uma pequena percentagem da população guineense tem o português como a língua materna e menos de 15% tem um domínio aceitável da Língua Portuguesa. A zona lusófona corresponde ao espaço geográfico conhecido como "a praça", que corresponde à zona central e comercial da capital (Bissau).

A situação se agrava devido ao fato da Guiné-Bissau ser um país encravado entre países francófonos e com uma comunidade imigrante expressiva vinda do Senegal e da Guiné (também conhecida como Guiné-Conakri). Por causa da abertura à integração sub-regional e da grande participação dos imigrantes francófonos no comércio, existe presentemente uma grande tendência de as pessoas utilizarem e aprenderem mais o francês do que o português. Há aqueles que defendem que, atualmente, o francês já é a segunda língua mais falada na Guiné, depois do crioulo.

Moçambique


Moçambique está entre os países onde o português tem o estatuto de língua oficial, sendo falada, essencialmente como segunda língua, por uma parte da sua população.

De acordo com dados do Censo de 1980, o português era falado por cerca de 25% da população e constituía a língua materna de pouco mais de 1% dos moçambicanos. Os dados do Censo de 1997 indicam que a percentagem atual de falantes de Português já é de 39,6%, que 8,8% usam o português para falar em casa e que 6,5% consideram o português como sua língua materna. A vasta maioria das pessoas que têm a língua portuguesa como materna reside nas áreas urbanas do país, e são os cidadãos urbanos, principalmente, que adotam o português como língua de uso em casa. No país como um todo, a maioria da população fala línguas do grupo bantu. A língua materna mais frequente é o emakhuwa (26.3%); em segundo lugar está o xichangana (11.4%) e em terceiro, o elomwe (7.9%).

São Tomé e Príncipe


Em São Tomé fala-se o forro, o angolar, o tonga e o monco (línguas locais), além do português. O forro (ou são-tomense) é um crioulo de origem portuguesa, que se originou da antiga língua falada pela população mestiça e livre das cidades. No século XVI, naufragou perto da ilha um barco de escravos angolanos, muitos dos quais conseguiram nadar até a ilha e formar um grupo étnico a parte. Este grupo fala o angolar, um outro crioulo de base portuguesa mas com mais termos de origem bantu. Há cerca de 78% de semelhanças entre o forro e o angolar. O tonga é um crioulo com base no português e em outras línguas africanas. É falado pela comunidade descendente dos "serviçais", trabalhadores trazidos sob contrato de outros países africanos, principalmente Angola, Moçambique e Cabo-Verde.

A ilha do Príncipe fala principalmente o monco (ou principense), um outro crioulo de base portuguesa e com possíveis acréscimos de outras línguas indo-européias. Outra língua muito falada em Príncipe (e também em São Tomé) é o crioulo cabo-verdiano, trazido pelos milhares de cabo-verdianos que emigraram para o país no século XX para trabalharem na agricultura.

O português corrente de São Tomé e Príncipe guarda muitos traços do português arcaico na pronúncia, no léxico e até na construção sintática. Era a língua falada pela população culta, pela classe média e pelos donos de propriedades. Atualmente, é o português falado pela população em geral, enquanto que a classe política e a alta sociedade utilizam o português europeu padrão, muitas vezes aprendido durante os estudos feitos em Portugal.

Este conteúdo foi acessado em 05/05/2010 no sítio A língua portuguesa.
Recomendar esta página via e-mail: